O QUE AS ESCOLAS MILITARES TÊM PARA ENSINAR?

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Na década de 1990, na esteira da política de segurança pública antidrogas, o U. S. Office of Education (o Ministério da Educação dos EUA) adotou uma conduta chamada Tolerância Zero.

A filosofia educacional do programa Tolerância Zero consistia em enfatizar a ordem, a disciplina e o trabalho (não as brincadeiras). Nada de correrias, gritos ou brigas – nem mesmo durante os intervalos e recessos. Foram adotadas filas únicas para entrar e sair das salas de aula, proibiram-se saídas ao banheiro no correr da aula, os lugares ocupados pelos alunos na salas passaram a ser determinados pelos professores, e interrupções e perguntas irrelevantes passaram a ser punidos.

O sistema disciplinar adotou também um protocolo de recompensas e punições – neste caso, isolamento à parte do grupo. O aluno disruptivo era colocado em uma pequena sala mal iluminada com uma única cadeira e deixado lá por um período de tempo, para refletir sobre sua conduta antes de ter uma conversa dura com a coordenação da escola.

Apesar da Tolerância Zero ter sido questionada nos EUA por diversas entidades, podemos traçar um paralelo entre ela e as escolas brasileiras, comparando especialmente os desempenhos das Escolas Militares e das Escolas Públicas Civis.

Quando utilizamos o ENEM com régua para comparar as performances dos estudantes brasileiros, e mesmo quando são corrigidos os vieses estatísticos, as Escolas Militares – que adotam políticas semelhantes à Tolerância Zero do U. S. Office of Education – apresentam um desempenho digno de nota: das 30 melhores escolas públicas do país, 10 são militares.

A mensagem é simples: não é preciso militarizar todas as escolas, mas devemos retirar o foco do vitimismo e da condescendência e reposicioná-lo com toda força na Disciplina. O objetivo da Escola não é oferecer um lugar para que o aluno seja feliz: Escola é um lugar de Aprendizado.

E esta é a grande lição que os Colégios Militares têm para ensinar à fraqueza de Caráter que impera nas demais escolas de ensino publico no Brasil:

Ter pena nunca ensinou coisa alguma – nem galinha a voar. Não se aprende por misericórdia, mas por Disciplina, e o primeiro fundamento da Disciplina é o Respeito; o segundo, a Consistência.

Sem Respeito, a Disciplina não brota. Sem Consistência, ela não permanece. Sem ambos, a burrice se perpetua. E nossa 59ª colocação no teste PISA (entre 70 países avaliados) diz bem sobre o resultado prático da filosofia de ensino que tem prevalecido por aqui.

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