A FELICIDADE DE ARISTÓTELES

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A Felicidade depende de cada um de nós. Mais que qualquer pessoa, Aristóteles salientou a Felicidade como o propósito central da vida humana. Não foi à que este aluno de Platão dedicou um espaço enorme à discussão deste tópico – maior que qualquer outro pensador anterior à Era Moderna.

Vivendo no mesmo período do chinês Mêncio, mas residindo do outro lado do mundo, Aristóteles chegou às mesmas conclusões: que a felicidade depende do cultivo de virtudes individuais. Ele estava convencido de que a vida genuinamente feliz necessitava de um conjunto de acertos mentais e físicos, e introduziu a ideia de uma ciência da felicidade como sendo um novo campo do conhecimento.

Essencialmente, Aristóteles defendia que a Virtude é alcançada mantendo-se o equilíbrio entre dois excessos – algo bastante similar ao caminho do meio de Buda. Em um de seus trabalhos mais famosos, Ética a Nicodemo, ele apresentou uma teoria da felicidade que continua sendo relevante mais de 2.300 depois de ter sido escrita.

Em Ética, Aristóteles procurou responder à pergunta: Qual é o propósito derradeiro da existência humana? Qual seria o objetivo que deveria funcionar de guia pra todas as nossas ações neste mundo? Em toda parte, vemos pessoas buscando prazer, riqueza, reconhecimento ou reputação. Ainda que cada uma dessas coisas tenha seu próprio valor, nenhuma delas pode ocupar o posto de bússola central para a Moral da Humanidade. Aristóteles dizia que praticamente qualquer pessoa seria capaz de concordar que a Felicidade deveria ocupar esta posição. Todos os outros recursos são meios em busca da Felicidade, ao passo que a Felicidade é um fim em si mesma.

A palavra grega que em geral é traduzida como felicidade é Eudaimonia, e, como a maioria das traduções de línguas antigas, ela pode ser enganadora. Atualmente, achamos que felicidade é tomar uma boa cerveja gelada em um dia quente, ou curtir numa boa com os amigos. Para Aristóteles, entretanto, a felicidade englobava a vida por inteiro. Não era algo que pudesse ser ganho e perdido no intervalo de horas como qualquer prazer frívolo: ela representava o valor derradeiro de toda sua existência até este momento, aferindo o quão bem você viveu à altura de seus potenciais como ser humano.

Por isso, não se pode dizer “tive uma vida feliz” até que se tenha vivido o último segundo dela – assim como você não pode dizer com propriedade que uma partida de futebol foi “um jogo épico” ainda no intervalo do primeiro tempo.

Uma Visão Hierárquica da Natureza

Para explicar a felicidade humana, Aristóteles apelou para sua interpretação da Natureza. Se você contemplar a Natureza, perceberá que existem quatro tipos de coisas diferentes nela, cada uma definida por um propósito diferente:

– Minerais: pedras, metais e outros objetos inanimados vida, cujo único objetivo é permanecer em repouso.

– Vegetais: uma vez que as plantas buscam nutrientes e crescem, elas são consideradas como possuidoras de algum tipo de alma e encontram satisfação ao suprir suas demandas.

– Animais: aqui, vemos um nível mais elevado de vida surgir. Os animais buscam prazer e reprodução, e podemos dizer que um cão está alegre ou triste, por exemplo, na mesma extensão em que ele está saudável e levando uma vida prazerosa.

– Humanos: o que torna os seres humanos diferentes do restante do reino animal: Segundo Aristóteles, a Razão. Apenas os humanos são capazes de reconhecer responsabilidades nas consequências de suas ações.

Então parece que nossa função singular é a Razão. Por meio dela, alcançamos nossas metas, resolvemos nossos problemas e usufruímos uma vida qualitativamente diferente das plantas e dos outros animais. Através do raciocínio, podemos nos tornar seres melhores – e por isso, o prazer em si não constitui a plenitude da felicidade humana. O objetivo da Razão não é aniquilar nossas urgências orgânicas, mas canalizá-las na direção do exercício pleno de nossa natureza como animais racionais.

A Busca da Felicidade como um Exercício das Virtudes

Em Ética, Aristóteles explica que o fator mais importante no esforço de alcançar a felicidade é ter um bom Caráter Moral – o que ele chama de Virtude Completa. Mas ser virtuoso não é um estado passivo: é um princípio que exige ações concordantes e consistentes. Não é suficiente possuir virtudes: deve-se lutar ativamente para alcançar cada uma delas através de saúde, prosperidade, conhecimento, família e amizades. Isto requer ser capaz de fazer boas escolhas, desenvolver sua força de vontade, abrir mão de prazeres imediatos, aprender a planejar e estar disposto a alguns sacrifícios.

Aristóteles era extremamente crítico quanto à cultura da “gratificação instantânea” que terminou predominando na cultura Ocidental atual. É impossível atingir a felicidade – a Eudaimonia – vivendo apenas pelos prazeres bestiais do momento, da mesma forma que não basta pensar na coisa certa a ser feita, ou ter a intenção de ou tentar fazê-la: é preciso que você a faça.

Muitas vezes, a filosofia Moral de Aristóteles é referida como Ética das Virtudes, uma vez que seu foco não está no peso Moral de nossos deveres ou obrigações, mas no desenvolvimento do Caráter e na aquisição de Virtudes como Força, Honra, Coragem, Sabedoria, Disciplina, Justiça, Generosidade, Temperança, Equilíbrio, Cidadania, Altruísmo e Boa Forma Física – um modo de vida que levaria, fatalmente, a um estado de verdadeira e duradoura Felicidade.

Será que este tem sido o seu caminho?

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