ALGUM DIA VIVEREMOS PARA SEMPRE?

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Se você tivesse que escolher agora mesmo até quantos anos irá viver, qual seria sua resposta? E você acha que mudaria de ideia quando atingisse essa idade?

Na mitologia grega, a Deusa Aurora pediu a Júpiter que concedesse imortalidade ao seu amor, Titono. Mas ela cometeu o erro de não pedir, também, sua juventude eterna. Com isso, Titono foi envelhecendo tanto que Aurora trancou-o num quarto escuro, onde ele acabou se tornando uma cigarra, enquanto implorava para que a morte o levasse.

Você gostaria de viver para sempre? Ou acha que isso acabaria se tornando entediante? Muitos acreditam que enjoariam de viver em certo ponto, e que a morte é o que dá sentido para a vida. Mas será mesmo?

Acho que isso totalmente irracional. Morte nunca é algo bom, traz consigo sofrimento e desgraça, portanto nunca poderia ser um “significado” para a felicidade. É o mesmo que dizer que uma criança precisa se queimar para aprender a não tocar no fogão quente.

A felicidade em si é o seu próprio significado. E, enquanto tivéssemos um propósito de vida, nunca enjoaríamos de viver. Mas não estou aqui para filosofar sobre a morte, e sim sobre um problema mais grave: a ausência dela e como isso nos impactaria.

Embora a morte seja parte da nossa vida, diversas grandes doenças no mundo também eram, até que os humanos descobriram uma forma de contorná-las e erradicá-las. A gripe, por exemplo, matou milhões de pessoas ao longo da história, e hoje é apenas um inconveniente.

Você conhece alguém que já teve varíola? Muito improvável, pois foi erradicada há meio século. E a peste negra? Durante sua expansão, no século XIV, ela era tão presente na Europa que não era considerada doença, mas algo inevitável.

Mas por que então não podemos ter outra visão sobre a morte? Quão poderosa ela realmente é? Será que não pode ser contornada?

Vencendo a morte

Ok, você pode achar que eu estou sendo idealista demais e que nunca seremos capazes de vencer a morte. E você pode estar certo… ou não. Mas, ainda que se isso fosse realmente verdade, demoraríamos décadas para conseguir.

Por enquanto, teremos que nos contentar com a segunda melhor opção: eliminar o envelhecimento. Uma espécie de Titono ao contrário, que eventualmente morrerá, porém não desgastado como acontece atualmente conosco.

Eliminar o envelhecimento não é questão de se vai existir ou não, mas apenas umaquestão de quando será possível. As pesquisas sobre longevidade tiveram avanços incríveis nos últimos anos. Pela primeira vez, já somos capazes de manipular alguns mecanismos por trás do envelhecimento, como o mapeamento e a edição do DNA.

Sim, você não está entendendo errado. Em alguns anos, talvez décadas, oenvelhecimento será erradicado. Passaremos a enxergar essa degradação natural não como inevitável, mas apenas como uma doença degenerativa. Uma doença que afeta 100% da população humana…

E isso nos leva à grande questão: a primeira geração dos “imortais” ou, pelo menos, dos que viverão mais do que o limite atualmente aceitável de 120 anos, pode estar viva hoje. E como isso vai impactar o futuro do trabalho?

A “geração dos imortais” será a próxima geração?

Nós não sabemos o quanto podemos prolongar nossas vidas. Hoje acredita-se que o máximo que podemos chegar é 120 anos, mas é possível que esse limite suba, ao passo que novas tecnologias vão surgindo.

Se você conseguisse alcançar os 200 anos, por exemplo, como isso mudaria sua personalidade? Cuidaria melhor do planeta e se preocuparia melhor com sua saúde? Trabalharia mais de um século ou apenas os 30 e poucos anos atuais?

E se pudesse trabalhar durante 150 anos, quanto tempo mais gastaria para descobrir as habilidades nas quais é bom? Quanto tempo mais se dedicaria a estudar e aprender?

O estresse e a sensação de urgência que viveríamos hoje acabaria ou se agravaria?

Entender essas questões é fundamental para entender como será o futuro do trabalho em um mundo onde pessoas terão uma expectativa de vida muito acima da atual. E mais: não envelheceriam, ou seja, não consumiriam produtos que hoje são voltados para idosos e consumiriam mais aqueles voltados para jovens.

Em um recente relatório sobre o envelhecimento da Universidade de Oxford, a idade de aposentadoria nos países desenvolvidos deve continuar crescendo cada vez mais nas próximas décadas. E isso tem contribuído para um aumento da sensação de felicidade das pessoas, indicando que trabalhar por mais tempo pode gerar mais felicidade.

A economia dos países se desenvolveria de forma exponencial. Pessoas mais velhas e com uma capacidade cognitiva que não degenerem conseguirão aprender e utilizar suas habilidades por muito mais tempo. A tecnologia gerará uma tecnologia ainda mais poderosa, num efeito bola de neve.

Veremos o surgimento de um novo conceito: o capital mental. Ele engloba flexibilidade cognitiva, inteligências sociais e emocionais, além da resiliência. Um alto nível de capital mental fará com que pessoas precisem de menos ajuda de outros e sejam mais adaptáveis a mudanças. Isso inevitavelmente trará mais igualdade social.

Por outro lado, o maior dos problemas poderá ser a previdência. Como definiremos a nova idade para se aposentar? Como conseguiremos pagar por tanto tempo o benefício?

E mais, como lidaremos com o incessante aumento populacional? Seremos capazes de aumentar a sustentabilidade do planeta, ou os humanos causarão o inevitável fim da sua própria existência?

Embora possa parecer distante, a erradicação do envelhecimento está mais próxima do que você imagina. Talvez chegue ainda para você nas próximas décadas. Portanto, eu pergunto novamente: se você pudesse escolher quanto tempo viver, qual seria sua resposta? Como você gostaria que fosse seu futuro?

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Iniciei minha primeira empresa aos 17 anos, no ramo de compra e venda de eletrônicos usados. Em 2011, participei da criação do programa Light Recicla, que revolucionou a gestão de resíduos sólidos no país, ajudando milhares de pessoas carentes no RJ e reduzindo a quantidade de desvios ilegais de energia. Em 2013, fui contemplado por uma bolsa de estudos da Ernst Young, a qual me possibilitou realizar missões de consultoria em pequenas empresas e startups na Espanha e Vietnã. Em 2014, fui explorar o potencial do Centro-Oeste brasileiro, me tornando sócio de uma startup de construção civil. O início de 2016 marcou surgimento da Skala Consulting, após os fundadores identificarem uma deficiência crônica na gestão de processos em empresas de todos os tamanhos. ✔ Acesse o site www.danielscott.com.br e o canal Daniel Scott no Youtube, meus espaços educativos que objetivam proporcionar experiências autênticas em gestão, carreira, produtividade e desenvolv. pessoal. ✔ Sou sócio da Skala Consulting, consultoria que fornece análise e perícia na gestão de processos e eficiência operacional para empresas de diversos setores. ✔ Estou ativamente interessado em participar do desenvolvimento de novos negócios e disseminar o conhecimento de empreendedorismo no Brasil e no mundo. ✔ Adoro ajudar pessoas com energia, entusiasmo e vontade de crescer. Me fascina participar do processo de desenvolvimento de empresas.

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