A IMPORTÂNCIA DA NATUREZA

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Segundo os registros fósseis conhecidos até aqui pela ciência, estima-se que nossa espécie, Homo sapiens, tenha surgido no planeta em algum momento por volta de 300.000 anos atrás.

Levamos vários milênios até deixarmos o estilo de vida de caçador-coletor e nômade para um agrícola e sedentário fixo. Essa transição, chamada de Revolução Neolítica ou Transição Demográfica Neolítica (ou ainda Revolução Agrícola) ocorreu há mais ou menos 13.000 anos.

Feitas as contas, percebemos que a formatação deste corpo que você habita derivou de incríveis forças evolucionárias e funcionou bem durante eras: durante uma eternidade de 287.000 anos, você corria, caçava, matava sua comida, caminhava, subia em árvores, coletava alimentos, e estava sempre em movimento.

Comparados aos nossos 2000 séculos de existência sob pressões da Natureza, os últimos 130 séculos de plantações, residência fixa e senso de propriedade parecem ser um intervalo rápido para o almoço: se nossa evolução ocupasse o espaço de 1 dia, o estilo de vida “moderno” seria o equivalente aos 60 minutos mais recentes.

Treze mil anos podem fazer uma diferença enorme para uma civilização ou sociedade, mas são quase nada do ponto de vista de uma espécie. E daí advém o conflito dos homens de hoje: eles se esqueceram do que são feitos.

NA NATUREZA NUA E CRUA

Os homens são selvagens em seus corações. E não há maneira melhor para redescobrir isso que se jogar por inteiro na natureza não-domesticada. No exato momento em que você entra nas florestas, nos bosques e nas montanhas, a energia primal que reside dentro de você desperta, e passa a circular em suas veias e artérias.

A vida que a maioria dos homens modernos leva é profundamente rotineira e segura. Eles tomam café da manhã, trabalham, voltam para casa, tomam banho, comem e dormem. Dia após dia, você passa pelas mesmas ruas, senta na mesma cadeira dentro do mesmo cubículo, volta pelo caminho conhecido e dorme na mesma cama.

Enfiado entre a tela do computador e algumas pilhas de papel, você tenta ser educado, polido, um bom menino obediente às leis, mas seu espírito está inquieto. Ele se sente aprisionado. Tudo que você toca, todos os locais onde vai e tudo que você usa foi modificado de sua forma original. Foi fabricado, lavado, moldado, esterilizado, empacotado e vendido para consumo. Praticamente todos os sons que você ouve, do motor do carro ao alarme do telefone, se originaram de uma fonte artificial. Tudo isso somado é suficiente para fazer com que você desenvolva pelo menos uma forma leve de insanidade.

Por isso, o homem deve periodicamente arrancar-se da civilização e interagir com a realidade em seu estado mais natural. Sujar suas mãos tocando terra de verdade, subir uma colina carregando pesos, sentar-se ao lado do fogo e ouvir os sons puros do crepitar da madeira enquanto sente-se cercado de coisas que não existem apenas para consumo humano. Algumas coisas existem apenas porque existem.

É interessante perceber que os antigos ritos de passagem em geral envolviam uma expedição levada a cabo sozinho e com recursos limitados. Muitos grandes homens da história receberam seu manto de masculinidade após se aventurarem na natureza selvagem.

O CAMINHO DE VOLTA

Para recuperar seu contato com o animal que você é e perceber seu lugar na natureza que lhe cerca, que tal tomar algumas atitudes?

  1. Vá para a natureza. Nada de parques com bebedouros e trilhas cuidadosamente calçadas: procure pelo tipo de natureza que é crua e perigosa. Arrume sua mochila e vá acampar na selva. Faça cursos de sobrevivência e pratique esportes que exigem contato com a natureza, tais como corridas de aventura, trilhas, exploração de cavernas, surf, caiaque, escalada, rafting ou pesca submarina.
  1. Mantenha o contato. Entre suas idas e vindas ao coração da natureza, tente manter-se em contado com ela indo regularmente a algum lugar com mato, árvores e água. Neste caso, correr no parque da cidade ou na areia da praia pode ser uma boa ideia.
  1. Guarde um tempo para aventura. Planeje suas férias não para ser um turista todas as vezes, mas para ser um explorador sempre. Procure destinos que envolvam contato com ambientes mais selvagens e sem tanto conforto. Desintoxicar-se da tecnologia é mandatório.
  1. Enfrente seus medos. Faça algo que você tem medo, nem que seja ir chamar cara a cara aquela gata para sair. Faça um discurso em público, aprenda a andar de moto ou esquiar. No paleolítico, o medo nos cercava a cada curva do rio, a cada arbusto, a cada noite. E nossa espécie não morreu por isso. Pelo contrário: tornou-se incrivelmente forte ao enfrentá-los todos.
  1. Instrua-se. Consuma leituras voltadas para aventuras, resiliência mental, superação e resistência física. Elas poderão lhe inspirar.

Se pretende aprender algo sobre ser um Homem, vá para a natureza. Mas não apenas qualquer tipo de natureza. Vá para a natureza selvagem. É lá onde sua essência lhe aguarda para um reencontro extraordinário.

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