A ARTE DE FAZER PERGUNTAS

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Não raramente, me surpreendo com as perguntas feitas em programas jornalísticos, em entrevistas com celebridades, em debates políticos, durante aulas e até mesmo em conversas do dia a dia.

Algumas dessas perguntas são tão triviais como “Será que vai chover?”, “A matéria que está no livro vai cair na prova?”, ou “Posso fazer uma pergunta?”. Outras traduzem apenas má-fé, sexismos, preconceitos ou burrices mesmo.

Perguntamos como se as perguntas fossem meia dúzia de formigas sobre a mesa do café da manhã: transformamos nossos questionamentos nessas coisinhas irrelevantes correndo ligeiras por entre os resquícios do dia. Mas perguntas não são formigas – ou são, mas não no sentido de serem irrelevantes.

Perguntas são nossas antenas tocando as antenas dos outros. São operárias que criam laços, vínculos, progressos, resultados. De migalha em migalha, as perguntas podem mover montanhas e construir colônias incríveis de conhecimento.

Levamos dezenas de milhares de anos para desenvolver uma linguagem falada e ainda somos incapazes de dar-lhe o devido valor. Na próxima vez que for disparar uma pergunta, que tal demonstrar um pouco mais de consideração por este gesto?

6 PASSOS PARA SE TORNAR UM PERGUNTADOR DE RENOME

Para dar às suas perguntas o verniz de importância que elas merecem, utilizando-as para aprimorar seu raciocínio, sua compreensão e seu aprendizado do mundo, recomendo que faça o seguinte.

  1. Prepare-se. Quantas vezes você já preparou seu rol de perguntas relevantes para o dia? Apesar de algumas surgirem na mente como um passe de mágica, é mais prudente não contar com a sorte. Preparar-se custa nada – e pode render grandes frutos. Pense sobre os possíveis encontros que você terá ao longo do seu dia e anote algumas boas perguntas para fazer a diferentes pessoas. Uma boa pergunta deve desencadear um raciocínio de alguns segundos antes de ser respondida e retirar as pessoas da mesmice.
  1. Guarde as boas perguntas consigo. De repente, você descobriu uma pergunta capaz de gerar respostas inteligentes e um bom debate construtivo. Esta é uma pergunta que vale à pena carregar no bolso. Conserve-a com você e apresente-a sempre que achar oportuno – que tal usar suas perguntas de ouro para começar uma conversa cativante com estranhos?.
  1. Pergunte o que não sabe. Isso aumenta seu interesse na conversa e permite que o outro se sinta valorizado – afinal, ele pode ser o depositário de um conhecimento que você há muito vem buscando. Nada mais eficaz para tornar-se uma pessoa interessante que ter um interesse genuíno na opinião dos outros. Pratique a Intersubjetividade!
  1. Pergunte o que não pode responder por si. Isso difere das “perguntas sobre o que você não sabe” no sentido em que, no primeiro caso, você poderia ir atrás das respostas. Neste segundo cenário, obter as respostas é algo além do seu alcance. As perguntas que não podem ser respondidas costumam resultar em um incrível fluxo de argumentos criativos e ajudam você a pensar fora da caixa.
  1. Evite fazer perguntas abertas para as quais você já tem a resposta. Se tem algo para dizer, diga. Não fique rodeando o assunto com perguntas esperando que o outro lhe presenteie com exatamente a resposta que você gostaria de ouvir. Fazer perguntas sugere que você está em um diálogo, não em um monólogo egocêntrico ou tentando colonizar o outro com suas idéias (isso se chama proselitismo e é uma das formas mais irritantes de interação que existe). Suas perguntas devem estar de acordo com as regras de conversação para cavalheiros.

PROPÓSITOS E CAMARADAGEM

Perguntas foram projetadas para deixar um assunto interessante e ampliar a área de entendimento sobre um determinado tópico. O ideal é que elas fomentem debates com uma troca engenhosa de perspectivas. É assim que novas idéias nascem, é deste tecido que as descobertas são feitas. E isso exige que as perguntas sejam elaboradas com um propósito, não por acaso.

Quando as boas perguntas começarem a fazer parte de sua rotina, você rapidamente perceberá uma melhoria na qualidade de seus relacionamentos interpessoais.

Para ser bem camarada, vou lhe passar uma lista com 20 perguntas inteligentes para um test-drive. Faça bom uso delas:

  1. Poderia falar um pouco sobre sua história?
  1. Por que está interessado nisso ou naquilo?
  1. Quais são as pessoas que mais lhe influenciaram?
  1. Qual é sua principal contribuição em seu trabalho ou em sua família ou para com seus amigos?
  1. Qual foi seu maior desafio até aqui?
  1. O que faz no seu tempo livre?
  1. Onde se vê em 10 anos?
  1. Qual foi o último livro que você leu?
  1. Se pudesse mudar algo em seu passado, o que mudaria?
  1. Você está fazendo aquilo em que acredita ou se conformou com o que está fazendo?
  1. Se a expectativa média de vida humana fosse de 40 anos, você estaria vivendo sua vida de outra maneira?
  1. Se pudesse dar a uma criança só um conselho, qual seria?
  1. O que gostaria de fazer que ainda não fez?
  1. O que está prendendo você de fazer aquilo que realmente quer?
  1. Qual é a coisa pela qual é extremamente grato?
  1. Há algo que possa dizer que é maravilhoso em sua vida?
  1. O que te chateava há 5 anos atrás, ainda te chateia?
  1. Qual é a sua memória mais feliz infância?
  1. Em que momento nos últimos tempos se sentiu mais apaixonado e vivo?
  1. Quando é a hora de parar de calcular riscos e recompensas e ir em busca daquilo que você quer?

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