O FEMINISMO E A REALIDADE SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

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Dia sim, dia também, aparece na mídia alguma coisa sobre a luta feminina contra o patriarcado opressor… Apesar de válido em alguns de seus posicionamentos, boa parte deste discurso vem carregado de incongruências e análises que vão da ingenuidade danosa a padronizações maliciosamente tendenciosas.

Por exemplo: o feminismo legitimamente defende uma maior participação das mulheres na política e acusa os representantes desta classe de serem ferramentas a serviço do patriarcado. Porém, existe um desatino nesta afirmação. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil conta com 146.275.020 de eleitores, sendo:

• Mulheres: 76.482.065 (52,29% do total de eleitores)
• Homens: 69.698.937 (47,65% do total de eleitores)

Apesar do sufrágio feminino no Brasil datar de 1932, e o direito constitucional ao voto universal após os 16 anos de idade ter quase 30 anos de existência, atualmente apenas 10% das cadeiras legislativas são ocupadas por mulheres. Politicamente falando, o engajamento do feminismo no mundo real é uma coletânea de barulhos sobre direitos, preconceitos dispersos e liberdade usurpada, mas curiosamente há décadas o movimento resiste em manifestar-se pelo uso do voto democrático como instrumento para quebra de paradigmas.

Boa parte das mudanças legislativas conquistadas pelas mulheres nos últimos 100 anos em nosso país não se deveu ao feminismo, mas ao voto de deputados e senadores do sexo masculino – eleitos pelas mulheres.

O que acontece com os movimentos feministas? Eles não se organizam em partidos, não apresentam suas próprias opções viáveis e suas fomentadoras sequer votam em si mesmas. As mulheres são a maioria do eleitorado, mas elegem insistentemente homens para boa parte dos cargos públicos – e na sequência, em uma demonstração clara de dissonância cognitiva, saem fazendo passeatas reclamando do patriarcado machista opressor maldito. Isso quando não reclamam da violência…

AFINAL, QUAL A VERDADE SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA?

Enquanto o feminismo promove performances artísticas urinando nas calças, os homens continuam sendo maioria absoluta entre os trabalhadores de limpeza pública, construção civil, segurança, transporte de cargas e operação de maquinários pesados, entre outros setores que exigem desgaste físico e riscos. Talvez por isso os representantes do mesmo patriarcado machista opressor maldito respondam por 75% dos óbitos em acidentes de trabalho.

Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, em 2010 (ano mais recente de dados disponibilizados na plataforma) tivemos um número absoluto de 53.016 homicídios no Brasil, sendo 48.493 homens e 4.477 mulheres. Em termos percentuais, os homens representam aproximadamente 91,5% do total de vítimas de homicídio e as mulheres, 8,5%.

No estudo Mapa da Violência, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz informa na página 10 de seu relatório que os homicídios ocorridos na residência ou habitação correspondem a:

  • 14,3% de todos os homens vítimas de homicídios.
  • 41,0% de todas as mulheres vítimas de homicídios.

Pode ser que você não goste tanto assim de matemática, mas faça um esforço. Pegue um papel e uma caneta e contabilize algumas regras de 3 simples. No ano de 2010:

  • 48.493 homens foram assassinados, sendo 14,3% destes em sua residência ou habitação. Isso totaliza 6.934 mortes.
  • 4.477 mulheres foram assassinadas, sendo 41,0% destas em sua residência ou habitação. Isso totaliza 1.835 mortes.

Somados os óbitos na residência ou habitação, temos o total de 8.769 mortes por violência doméstica em 2010, sendo:

  • 6.934 homens = aproximadamente 80% dos casos de mortes violentas ocorridas na residência ou habitação.
  • 1.835 mulheres = aproximadamente 20% dos casos de mortes violentas ocorridos na residência ou habitação

Conclusão: de cada 100 vítimas fatais de violência doméstica, 80 são homens e 20 são mulheres. Em termos ainda mais simples: de cada 5 vítimas de homicídios decorrentes de violência na residência ou habitação, 4 são homens. Não precisa agir como um gênio para fazer estas contas – mas, para não fazê-las ou negar a relevância de seus resultados, basta agir com um pouco de má-fé e preconceito.

A mídia, o governo, as ONG´s e os movimentos feministas utilizam estatísticas para alardear a violência contra a mulher e omitir que vivemos em um país violento que não escolhe gênero. Enquanto discutimos com manchetes indignadas o assassinato de 4.477 mulheres como uma epidemia de feminicídio, fechamos covardemente os olhos para 48.493 homens mortos no mesmo período.

Um estudo realizado por Fernanda Bhona envolvendo 480 participantes na Universidade Federal de Juiz de Fora (Minas Gerais), apontou que 77% de um grupo de 292 mulheres com relação conjugal afirmavam ter xingado, humilhado ou intimidado o parceiro – contra 71% das mesmas ações tomadas por eles. A agressão física do companheiro – tapas, socos ou chutes – foi assumida por 24% das mulheres. E, segundo elas próprias, apenas 20% dos parceiros cometeram o mesmo tipo de agressão contra elas. Quando o ato violento deixa lesões, hematomas ou causa desmaio após a pancada, cerca de 13% delas são responsáveis pela ação, contra 9,5% das agressões masculinas infligindo danos às parceiras.

Em alguns países anglo-saxões, há serviços de atendimento por telefone que oferecem apoio a homens vítimas de violência doméstica. As ONGs britânicas Men’s Advice Line e ManKind Initiative são alguns deles. Segundo Mark Brooks, diretor da ManKind Initiative, a organização recebe cerca de 1.500 telefonemas anualmente e, na maioria dos casos, as mulheres são identificadas como agressoras.

Existem partes da Grã Bretanha onde mais homens são mortos por mulheres que o inverso. Na Cornuália, por exemplo, os homens são 4 de cada 5 vítimas fatais da violência doméstica.

Nos EUA, dados de 2011 e 2012 mostraram que 1,2 milhões de mulheres foram vítimas de algum tipo de violência doméstica – assim como 800.000 homens. Após analisar dados de homicídio em 33 municípios, o Bureau of Justice Statistics, órgão associado ao Departamento de Justiça Americano, descobriu que cerca de 40% dos assassinatos conjugais são perpetrados por mulheres.

Tanto homens como mulheres são bem mais violentos que o percebido através dos registros policiais. A utilização de estatísticas de crimes a partir de bases de dados de cientistas sociais mostra que boa parte dos casos de violência doméstica nos EUA não é relatada à polícia: episódios de violência conjugal homem sobre a mulher ocorrem ao ritmo de 113 incidentes para cada 1000 casais/ano; e mulher sobre o homem, ao ritmo 121 incidentes para cada 1000 casais/ano. Por detrás de portas fechadas, as mulheres são pelo menos tão violentas quanto os machos de sua espécie.

No Canadá, cerca de 65% das mulheres agridem fisicamente seus maridos com frequência e ser do sexo masculino aumenta duas vezes sua chance de ser assassinado. Por lá, segmentos da sociedade questionam: onde estão os abrigos, as proteções legais e institucionais, e os programas especiais para garantir a segurança dos homens?

É preciso entender que o abuso nas relações conjugais é um crime contra um ser humano, independente de seu gênero. Assim como há um consenso na hora de condenar a violência contra as mulheres, o mesmo deveria ser feito na violência contra os homens – mas este tópico continua sendo um tabu.

Um homem que denuncia maus tratos sofridos por sua mulher será ridicularizado pela sociedade e pelas próprias instituições que deveriam dar guarida à sua denúncia. Existem bons motivos para pensar que boa parte da violência feminina contra os homens não seja registrada por motivo de vergonha, orgulho ou pela noção de que, em qualquer queixa deste tipo, o homem será antecipada e imediatamente visto como a parte agressora.

UM DEBATE ESTEREOTIPADO

Como sociedade, damos uma atenção enorme à proteção das mulheres contra toda forma de violência, oferecendo repartições especializadas de polícia, legislação específica, abrigos, refúgios, manchetes nos jornais, organizando passeatas e manifestações públicas de repúdio. Mas muito pouco tem sido feito para proteger os homens ou dissuadir qualquer um de que também é errado tornar um homem vítima de violência. Será que criamos uma civilização onde uma vida masculina é mais barata que uma vida feminina?

Se vamos conversar sobre Violência Doméstica, precisamos fazer isso melhor e com mais lucidez e atualidade. Nossa atitude com relação ao tema é absurdamente antiquada, com um domínio persistente da argumentação respaldada em estereótipos esquerdistas vitimizantes – que contaminam a qualidade da argumentação com suas Díades Morais, impedindo uma visão ampla e verdadeira do problema.

Quando as manchetes dizem “Homens são responsáveis por 90% dos casos de violência doméstica”, também poderíamos ler: “Mulheres são responsáveis por 90% dos boletins de ocorrência de violência doméstica que chegam ao conhecimento da polícia”. Entretanto, suas chances de ser atacado e morto são muito maiores se você for um homem. Lembre-se: 91,5% do total de vítimas de homicídio são do sexo masculino.

Não se trata de uma competição por quem leva o prêmio pela pior estatística, mas de uma constatação: 132 homens são assassinados no Brasil diariamente, contra 12 mulheres no mesmo período – e qual lado deste debate você percebe mais próximo da superfície no seu dia a dia?

A mídia, que rotineiramente publica dados estatísticos coletados a partir das agências de segurança do Estado, permanece muda com relação ao genocídio masculino. A pergunta é: deliberadamente ou por incompetência?

Em todo o mundo, o índice de suicídio entre os homens é 3 vezes maior que entre as mulheres – e está aumentando. Nos últimos 10 anos, o número de suicídio entre homens de 40 e 50 anos de idade aumentou 40%, e estas estatísticas recebem bem pouca simpatia, especialmente por parte dos movimentos feministas.

Para discutir seriamente sobre a redução da violência doméstica, é preciso assumir que nossa cultura da agressividade, recheada de álcool, drogas e ideologias falidas, torna todos – homens e mulheres – agentes e vítimas da violência. A mensagem publicitária mais adequada deveria dizer: dentro de nossa espécie, qualquer gênero tem capacidade de agir violentamente – e assim procede. Agora construamos uma saída honesta a partir desta verdade inconveniente.

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