NÃO MUTILE SEU PROCESSO DE AMADURECIMENTO

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No filme O Dia Em Que A Terra Parou (2008), o alienígena Klaatu, personagem de Keanu Reeves, dialoga com um professor terráqueo sobre a decisão de destruir a Terra. Karl Urban – o físico teórico interpretado pelo sempre genial John Cleese – contempla estupefato a devastação inexorável em andamento e tenta compreender por quê Klaatu está aniquilando nossa espécie:

– Seu problema não é a falta de tecnologia. – afirma Klaatu. – Seu problema são vocês mesmos. Vocês não tem vontade de mudar.
– Então ajude-nos a mudar! – diz o Urban.
– Eu não posso mudar sua natureza. Vocês tratam o mundo como tratam uns aos outros.
– Mas toda civilização eventualmente atinge uma hora crítica…
– A maioria delas não consegue chegar neste estágio.
– A sua conseguiu. Como?
– Nosso sol estava morrendo. Nós tínhamos que evoluir, caso contrário não sobreviveríamos.
– Então foi apenas quando seu mundo estava ameaçado pela aniquilação que vocês se tornaram o que são hoje.
– Sim.
– Pois é exatamente neste ponto que nos encontramos. Você diz que estamos à beira da destruição, e está correto. Mas é apenas na borda desse precipício que as pessoas encontram a força necessária para a mudança. É neste momento que evoluímos! Por isso lhe suplico: por favor, não roube o nosso momento.

Não roube o nosso momento. Simplesmente fantástico!

Quantas vezes você permitiu que roubassem o seu momento? Ou, pior: quantas vezes você mesmo amputou seu próprio momento, fugindo da crise, esgueirando-se das responsabilidades, não assumindo consequências, eximindo-se da sua obrigação de agir, transformar, adaptar-se?

Vejo pessoas abatidas quase ao ponto do esgotamento, cegas no meio de suas vaidades, exasperadas em busca de uma solução – quando não percebem que já a estão vivenciando. Deviam respirar fundo e atentar às palavras de G.K. Chesterton que ecoam há muito, muito tempo: “Há um elemento que sempre tende ao infortúnio, ou melhor, ao fracasso. Refiro-me à pressa”.

No meio da atribulação, na sua hora mais escura, é lá que poderá estar escondido seu ponto de mutação, aquele instante sem volta onde nada mais será como antes. Não o ampute, não o mutile, não se furte: receba-o com impassibilidade meticulosa, absorva a substância da ocasião e lide com a oportunidade investindo a solicitude que ela merece. Pois é assim que as plantas mais resistentes – e os seres humanos de melhor qualidade – florescem.

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